Últimos dias de exposição sobre arte, terra e resistência no Espaço Cultural Correios.
- jornal bilhões

- 12 de jun.
- 2 min de leitura

A exposição Terra - Mãe de todas as Lutas, no Espaço Cultural Correios Niterói, reúne as artistas Jaguatirika, Aluana e Pérola Santos em um convite a reconhecer que a terra, enquanto sujeito e enquanto direito, está no centro das lutas mais urgentes do nosso tempo.
Com realização da Fundação de Arte de Niterói e apoio do Espaço Cultural dos Correios, a exposição conta com curadoria de Débora Martins, e parte de um deslocamento essencial: não se trata de dar visibilidade, mas de reconhecer a centralidade histórica e contemporânea das produções indígenas e quilombolas. Suas práticas não ocupam as margens, elas atravessam o centro das disputas que definem o Brasil.
O percurso expositivo se constrói como uma dança, uma gira, uma roda. Não há separação entre artistas, mas encontros. As obras se articulam em campos de força: memória que resiste, corpo que carrega território, luta que não se interrompe, futuro que já está sendo tecido.
A mostra tem entrada gratuita e fica em cartaz até 13 de junho.
ALUANA
A produção de Aluana se constrói a partir de uma relação íntima com o território,
a memória e as experiências que atravessam a vida cotidiana. Artista multidisciplinar, sua
linguagem figurativa se desdobra em narrativas visuais que articulam identidade, afeto e
pertencimento.
Suas obras operam como registros sensíveis de vivências, nas quais o corpo, a
paisagem e as relações familiares se entrelaçam. Há, em sua prática, um movimento de
retorno — não como nostalgia, mas como gesto de elaboração e permanência. No contexto da exposição, Aluana insere uma camada de intimidade e delicadeza
que, longe de suavizar o debate, o complexifica. Sua obra afirma que a relação com a
terra também se constrói no cotidiano, nos afetos e nas experiências compartilhadas.
PÉROLA SANTOS
Artista visual quilombola contracolonial, Pérola Santos desenvolve uma produção
profundamente atravessada pela relação com seu território de origem, o Quilombo
Ivaporunduva, no Vale do Ribeira. Sua prática articula pintura e materialidade,
incorporando o barro de seu próprio território como elemento constitutivo de suas obras.
Mais do que recurso estético, o uso da terra opera como gesto político e simbólico,
afirmando pertencimento, memória coletiva e continuidade. Suas imagens trazem cenas
do cotidiano quilombola, bem como registros de mobilização e resistência, como as
manifestações contra a construção de barragens na região. No contexto da exposição, Pérola Santos inscreve a terra como matéria viva e como campo de luta, evidenciando que as disputas territoriais não são abstratas, mas concretas, urgentes e continuamente enfrentadas.
Jaguatirika
Artista visual indígena, Jaguatirika desenvolve uma produção que articula pintura,
mural, instalação e bordado como formas de construção de territórios simbólicos e
espirituais. Sua prática é atravessada por ancestralidade, memória e pensamento
anticolonial, operando em um campo onde arte e existência se entrelaçam de maneira
indissociável. Suas obras não se organizam apenas como imagens, mas como experiências. Em diálogo com a proposta da exposição, Jaguatirika afirma a continuidade dos saberes indígenas no presente, deslocando-os de uma leitura historicizante para uma
condição ativa e contemporânea.
Exposição Terra - Mãe de Todas as Lutas
Com obras de Aluana, Jaguatirika e Pérola Santos
Curadoria de Débora Martins
Visitação: Segunda a sexta, das 11h às 18h. Sábado, das 13h às 18h (Exceto Feriados)
Espaço Cultural Correios
Av. Visconde do Rio Branco, 481 - Centro, Niterói
Entrada gratuita




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