A TROPA REAGE COM INDIGNAÇÃO À NOVA REGULAMENTAÇÃO DO RAS COMPULSÓRIO NO RJ
- jornal bilhões

- 20 de mar.
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Foto: Instagram Cel Menezes
A recente medida anunciada pelo secretário de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro caiu como uma bomba entre os policiais militares. A regulamentação do chamado RAS Compulsório (Regime Adicional de Serviço obrigatório), divulgada nas redes sociais oficiais, gerou forte reação negativa dentro da corporação.
Entre os pontos anunciados estão: o fim da escala compulsória para policiais em abono permanência, a criação do RAS preferencial — priorizando adesão voluntária em grandes eventos — e o estabelecimento de um limite máximo de 56 horas mensais para o RAS compulsório.
Na prática, porém, a tropa denuncia outra realidade.
“Isso não é melhoria, é sobrecarga institucionalizada”, desabafou um policial.
Os 56h mensais equivalem a até 7 serviços de 8 horas ou 5 serviços de 12 horas, o que, segundo os agentes, significa na prática trabalhar durante as folgas — ampliando o desgaste físico e psicológico de uma tropa já no limite.
A promessa de voluntariedade no RAS preferencial também não convenceu. Muitos policiais afirmam que o peso continuará recaindo sobre o efetivo, principalmente nas escalas compulsórias.
“A conta continua sendo paga pela tropa. Estamos sangrando e vão continuar exigindo mais da gente”, relatou outro agente, sob anonimato.
O clima é de revolta generalizada. Grupos internos e associações de classe classificaram a medida como insuficiente e desconectada da realidade das ruas. Para muitos, a regulamentação apenas “organiza a sobrecarga”, sem resolver o problema estrutural da falta de efetivo e valorização.
Além da insatisfação operacional, o impacto já começa a respingar no campo político. Policiais militares afirmam que a categoria está atenta e promete mostrar a força nas urnas.
“Não vamos esquecer quem apoia esse tipo de decisão. A tropa está cansada de promessas e medidas que só apertam ainda mais quem está na ponta”, declarou um representante da categoria.
Outro ponto que tem gerado indignação é o silêncio de influenciadores policiais alinhados ao governo atual. Mesmo diante da reprovação massiva da tropa, muitos desses perfis não saíram em defesa dos policiais, sendo acusados por colegas de utilizarem o nome da corporação para monetização nas redes sociais, sem representar de fato os interesses da base.
A sensação predominante dentro da Polícia Militar é clara:
a medida não representa avanço — mas sim a continuidade de um sistema que exige cada vez mais, oferecendo cada vez menos.



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