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Alana vence estado crítico e recebe alta em São Gonçalo Após semanas de tratamento intensivo e comoção no município, sobrevivente volta pra casa nesta quarta-feira




O dia 06 de fevereiro de 2026 ficará marcado na memória de São Gonçalo como um dia de dor, mas o dia 04 de março será lembrado como o dia do renascimento. Após quase um mês de uma luta ferrenha pela sobrevivência, a estudante Alana Anisio Rosa, de 20 anos, deixa o Hospital e Clínica de São Gonçalo (HCSG), superando as marcas de uma tentativa de feminicídio para retomar sua trajetória.


A chegada à unidade foi o momento de maior incerteza. Relembrando o primeiro contato, a mãe de Alana, Jaderluce Anísio de Oliveira, destaca que o acolhimento imediato foi o que sustentou a família.


“A gente chegou com a Alana em estado crítico e fomos muito bem atendidos. Não temos nenhuma reclamação, só tenho que agradecer. Lá no trauma, o atendimento foi nota mil”, relata.


*O desafio da medicina intensiva*

Alana deu entrada no hospital em estado gravíssimo, após sofrer dezenas de golpes de faca. Enquanto a família buscava forças na esperança, os médicos travavam uma batalha contra o tempo para estabilizá-la.


“Nas primeiras 48 horas, o maior desafio foi estabilizar a paciente hemodinamicamente, controlar sangramentos, prevenir infecções e garantir adequada oxigenação e perfusão cerebral. Foi um período extremamente delicado”, conta o Dr. Alex Ventura, Gestor médico do CTI do HCSG. Segundo ele, a atuação coordenada entre cirurgia, anestesia e banco de sangue foi o que determinou o desfecho positivo.


A estabilização do quadro não foi apenas uma questão de protocolo, mas de precisão. Para garantir que essa evolução ocorresse sem sequelas, o hospital mobilizou tecnologia de ponta, como respiradores modernos, monitorização hemodinâmica avançada e monitorização contínua da atividade cerebral.


“O coma induzido foi utilizado como estratégia de proteção orgânica. A combinação entre estrutura tecnológica, protocolos bem definidos e uma equipe experiente foi decisiva para que ela pudesse despertar sem sequelas neurológicas”, explica o médico, ressaltando que a retirada da sedação foi feita de forma progressiva, guiada por critérios clínicos e neuromonitorização contínua.


Segundo Jaderluce, a clareza e a dedicação da equipe foram fundamentais para atravessar os dias de CTI e ela faz questão de nominar aqueles que estiveram na linha de frente:


“Tenho muito que agradecer aos médicos: Dr. Alex Ventura, principalmente, Dr. Eduardo, Dra. Márcia e Dr. João Pedro, que fez a intubação dela. Além das enfermeiras e toda a equipe. Tenho todo o meu respeito por eles”, afirma a mãe.


A saída do CTI para o quarto, ocorrida recentemente, foi o primeiro grande sinal de que o corpo de Alana estava respondendo. A recuperação é considerada um avanço significativo, fruto de uma infraestrutura robusta e de profissionais que não desistiram diante da gravidade das lesões. Para quem atuou diretamente em sua recuperação, o caso deixa marcas profundas de superação.


“Casos como o da Alana impactam profundamente qualquer equipe de saúde. Estamos acostumados a lidar com situações graves, mas quando se trata de uma paciente jovem, vítima de extrema violência, o envolvimento emocional é inevitável. Assinar a alta dela hoje é motivo de grande orgulho para toda a equipe. Representa não apenas um sucesso técnico, mas uma vitória da vida sobre a violência”, pontua Dr. Alex. O médico ainda complementa que o momento serve de reflexão sobre a importância do combate à agressão contra a mulher.


*Um novo começo*

A alta realizada nesta quarta-feira (04/03) transbordou alívio. Para a família, o HCSG foi o cenário de um milagre operado por muitas mãos.


“Só tenho elogios ao hospital, aos cuidados, ao CTI, à recepção, ao pessoal da limpeza... só tenho que agradecer mesmo”, reforça Jaderluce.


Alana sai do hospital não apenas como uma sobrevivente de uma estatística cruel, mas como um símbolo de resiliência para toda a cidade de São Gonçalo.

 
 
 

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