Como alguém pode ter orgulho de ser autista ou ter um filho autista?"Por Euzenir "Dra. Zen" — Advogada Humanista
- jornal bilhões

- 18 de jun.
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Atualizado: 23 de jun.

Todos os anos, quando chega o Dia do Orgulho Autista, muitas pessoas fazem a mesma pergunta: "Como alguém pode ter orgulho de ser autista ou de ter um filho autista?"
A dúvida é legítima, mas nasce de uma compreensão equivocada sobre o significado desta data.
O orgulho autista não é uma celebração das dificuldades. Não significa ignorar os desafios enfrentados por pessoas autistas e suas famílias. Também não significa negar a importância das terapias, dos tratamentos de saúde ou das políticas públicas voltadas à inclusão.
O que celebramos é algo muito maior: o reconhecimento de que o autismo não é uma doença. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que faz parte da diversidade humana.
Durante décadas, pessoas autistas foram tratadas apenas sob a perspectiva da limitação. Muitas foram excluídas da escola, do mercado de trabalho, dos espaços de convivência e até mesmo das decisões sobre suas próprias vidas. O resultado foi uma sociedade que enxergava o autismo apenas pelo que faltava, nunca pelo potencial existente.
O Dia do Orgulho Autista surge justamente para romper essa lógica.
Como advogada humanista, acredito que toda pessoa deve ser reconhecida em sua integralidade. Nenhum ser humano pode ser reduzido a um diagnóstico. O autismo não apaga talentos, sonhos, capacidades, afetos ou projetos de vida.
Isso não significa que todas as pessoas autistas tenham as mesmas experiências. Pelo contrário. Existem diferentes níveis de suporte e diferentes formas de manifestação do espectro autista. Algumas pessoas necessitam de apoio permanente para atividades cotidianas. Outras conquistam maior autonomia. Cada trajetória é única e merece respeito.
O orgulho, nesse contexto, significa afirmar que uma pessoa autista não precisa sentir vergonha de quem é. Significa dizer que ela tem o direito de existir plenamente, sem precisar esconder suas características para ser aceita.
Também significa reconhecer a luta de milhares de famílias que diariamente enfrentam barreiras sociais, preconceitos e a falta de acessibilidade. Famílias que não buscam privilégios, mas direitos.
Ainda vivemos em uma sociedade que conhece pouco sobre o autismo. Muitas vezes, o preconceito nasce justamente da falta de informação. Por isso, esta data tem um papel fundamental na conscientização coletiva.
Quando falamos sobre orgulho autista, estamos falando sobre respeito às diferenças. Estamos falando sobre inclusão real. Estamos falando sobre uma sociedade capaz de acolher pessoas em sua diversidade, sem exigir que elas deixem de ser quem são.
Mais do que uma celebração, o Dia do Orgulho Autista é um chamado à reflexão. É um convite para construirmos um mundo em que pessoas autistas sejam vistas não pelas limitações que lhes são atribuídas, mas pela sua humanidade, sua singularidade e sua capacidade de contribuir para a sociedade.
*Quem é a Dra. Zen?*
Advogada, pós-graduada em neurociência jurídica e do desenvolvimento humano pela escola de magistratura Federal, pós graduada em psicopatologia, mestranda em Direito internacional, vice-presidente da Comissão de Pcd e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Guarulhos , autora de livros voltados para direitos da PcD, direitos humanos e co-autora em antologias. Idealizadora do Coletivo Instituto Cuidar de quem cuida. Membro da Academia Brasileira de Letras (ALB).



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