```Liberalismo identitário: inclusão real ou maquiagem do sistema?```
- jornal bilhões

- 19 de jun.
- 3 min de leitura

O termo «liberalismo identitário» nasceu na esquerda marxista nos anos 2010 como crítica. A ideia é simples: o liberalismo clássico fala de «indivíduo livre». O «identitário» troca o indivíduo pelo grupo: negro, mulher, LGBT, PCD.
Historicamente, a luta de classe dominou a esquerda até os anos 1960. Depois de Maio de 1968, das lutas civis nos EUA e do feminismo de 2ª onda, a pauta identidade ganhou força. Pra marxistas, foi quando a esquerda «trocou a fábrica pela universidade».
[Como funciona na prática hoje]
A aposta é mudar o sistema de dentro pra fora.
Exemplos no Brasil:
- Cotas raciais e sociais nas universidades desde 2012 através da Lei 12.711
- Lei Maria da Penha 2006 e feminicídio 2015
- Casamento homoafetivo reconhecido pelo STF em 2011
- Cotas trans em concursos públicos e universidades desde 2017
- Mais mulheres e negros no Congresso, cinema, TV
A lógica é: «direito agora, revolução depois». Se a pessoa morre hoje por homofobia ou transfobia, não dá pra esperar o fim do capitalismo.
[A crítica da luta de classe]
Pra marxistas/leninistas, isso é «liberal» por 4 motivos:
1. Desvia do conflito principal: Marx dizia que toda história é luta de classes. Se a briga vira «homem vs mulher» ou «branco vs negro», o patrão sai de cena. Virou «guerrinha cultural» em vez de «trabalhador vs patrão».
2. Fica na superestrutura: Para marxismo, economia = base. Gênero, raça, cultura = superestrutura. Mudar lei e costume sem mudar quem é dono dos meios de produção é trocar o enfeite da casa que vai desabar.
3. Vira mercado: Hoje, toda marca tem campanha do Dia do Orgulho, do Dia da Mulher, Dia da Consciência Negra. Virou «pink money», «black money». O capitalismo aprendeu a vender inclusão. Te dão representatividade, mas não te dão poder econômico.
4. Troca a briga de classe pela briga cultural: entra também a briga de cristão com ateu, conservador com progressista. Para crítica marxista, isso desvia o foco. Enquanto o povo briga sobre fé, costume e moral, ninguém discute quem é dono da terra, do banco, da fábrica. Virou «guerra cultural» pra esconder a guerra econômica.
Por isso chamam de «desvio do macro». Saúde mental, casamento, aborto, religião... tudo vira «pauta de nicho» se não dar lugar ao salário, terra, fábrica.
[A contradição que incomoda]
E aqui entra a crítica que pesa: autoridade pra falar. Quem defende o «trabalhador» precisa ter vivência do trabalho braçal? Como falar de enxada, martelo, foice sem nunca ter pegado? Se a bandeira é «luta de classe», a coerência entre discurso e prática entra no jogo.
[A defesa das pautas identitárias]
O contra-argumento veio de Kimberlé Crenshaw nos anos 1980: interseccionalidade. Ninguém é «só classe». Uma mulher negra pobre não sofre 3 opressões separadas. Ela sofre 1 opressão multiplicada.
Por isso dizem: «Não dá pra esperar a revolução pra parar de apanhar hoje». Enquanto se espera mudar a base, a mulher negra é demitida agora, o trans é expulso de casa agora. Pra eles, identidade não é distração. É sobrevivência imediata.
Ponto que não pode faltar: inclusão de verdade respeita o tempo de cada um. Ninguém é obrigado a se expor, a «se assumir», a virar símbolo. A cobrança pra «sair do armário» vira mais uma violência. Direito é ter a escolha de ficar ou sair, sem perder emprego, casa ou família por isso.
A pergunta que fica: É falso dilema ou escolha real? Dá pra lutar por salário digno E por respeito ao pronome? Dá pra mudar a economia E mudar a cultura ao mesmo tempo?
Ou toda luta identitária dentro do capitalismo só vira produto? E toda revolução que ignora identidade só troca um opressor por outro?
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OLIVEIRA COMUNICAÇÃO Meire Oliveira Silva | Jornalista 55 11 91744-1900 / 55 11 99354-1329 São Paulo / SP meiresilva_1@outlook.com @meirertv1 https://www.linkedin.com/in/meire-oliveira-silva-20-09/




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