Marcha Virtual dos Povos da Floresta põe a água potável no debate político

A falta de água potável, um direito básico e fundamental, é o motor que impulsiona a Marcha Virtual dos Povos da Floresta, marcada para este domingo, 26 de julho, às 19h, com transmissão ao vivo pelo YouTube e redes sociais. O evento reunirá lideranças de municípios como Belém, Marabá, Tailândia, Oriximiná, Alenquer, Carajás, Belém, Castanhal e Itaituba para denunciar o descaso estrutural que atinge indígenas, quilombolas e ribeirinhos, comunidades historicamente abandonadas pelo poder público e que sofrem diariamente com os efeitos da poluição, do desmatamento e da distância cada vez maior dos mananciais. "O jeito é decantar água barrenta", resume Suzana Bastos, moradora de Castanhal, em um relato que ecoa a realidade de milhares de famílias na Amazônia.
O problema, de proporções alarmantes, afeta diretamente a vida de milhares de pessoas que habitam as margens dos rios e igarapés. Crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis diante da ausência de um direito que deveria ser garantido. O que antes era abundante e sagrado,a água pura, hoje se encontra contaminado pelos rejeitos da mineração, pelos agrotóxicos das monoculturas e pelos efeitos devastadores do desmatamento.
Entre as participantes confirmadas está a professora Cintia Goulart, de Itaituba, que não poupa críticas à concessionária responsável pelo serviço. "É incabível uma companhia como a Cosanpa ser tão eficiente para cobrar e tão displicente no momento de prover água potável para todas as comunidades", denuncia a educadora, expondo a contradição de um sistema que fatura sem entregar o mínimo à população.
O organizador da marcha, professor Conti Marcelino, da Universidade Federal Fluminense, unidade Oriximiná PA, faz questão de enfatizar que a luta por água potável transcende qualquer bandeira partidária. "Precisamos sensibilizar a todos. Crianças estão consumindo água dos igarapés decantada, por falta de um simples filtro, revela Conti. Ele informa que solicitou análise do Fundo Verde Internacional para investimento em nanotecnologia de filtragem. “Podemo ajudar mais”, avalia.
A transmissão ao vivo promete ser um espaço de escuta ativa, com depoimentos denúncias e propostas das lideranças participantes. Aqueles que se interessarem em manifestar seu apoio ou compartilhar sua própria história podem se inscrever pelo número (91) 99117-4946, fortalecendo a corrente de solidariedade em defesa da vida e da água.







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