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Niterói recebe a 24ª edição da Semana Nacional de Museus

A Fundação de Arte de Niterói participa da 24ª edição da Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus. A programação nacional acontece entre 18 e 24 de maio de 2026 com o tema “Museus: unindo um mundo dividido”. Os eventos acontecem no Solar do Jambeiro e no Museu Janete Costa.

Vivemos um tempo atravessado por fraturas profundas. Conflitos armados, desigualdades estruturais persistentes, intolerâncias, crises das instituições públicas, deslocamentos forçados e disputas de narrativas moldam o cotidiano das sociedades contemporâneas. Em um cenário de polarizações e fragmentações crescentes, os museus são convocados a assumir, com responsabilidade ética, consistência técnica e compromisso público, seu papel estratégico na garantia de direitos, na qualificação do debate público e na construção de horizontes democráticos.

Com o tema “Museus: unindo um mundo dividido”, a 24ª Semana Nacional de Museus propõe uma reflexão estruturante sobre o papel dessas instituições na garantia do direito à memória, na promoção da justiça social e no fortalecimento da participação cidadã. Mais do que espaços de preservação e exposição, os museus se afirmam como agentes ativos na consolidação da democracia cultural, assegurando acesso plural aos bens culturais, às narrativas históricas e aos processos de produção de sentido.

O direito à memória constitui dimensão essencial dos direitos culturais e fundamento de uma sociedade comprometida com a dignidade humana. Ele assegura que indivíduos e coletividades tenham reconhecidas, preservadas, interpretadas e difundidas suas histórias, saberes e patrimônios — materiais e imateriais. Garantir esse direito implica enfrentar silenciamentos históricos, reconhecer processos de apagamento, combater invisibilizações e promover condições equitativas de representação.

Fortalecer as práticas democráticas exige reconhecer que as desigualdades são estruturadas por múltiplos marcadores sociais — como pertencimento étnico-racial, classe social, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, deficiência, território e geração — que produzem experiências desiguais de acesso aos direitos culturais. Uma abordagem interseccional permite compreender como esses marcadores se articulam e se reforçam, configurando sistemas complexos de poder, privilégio e exclusão. Tal perspectiva convoca os museus a adotarem práticas institucionais conscientes, inclusivas, acessíveis e orientadas à reparação simbólica e histórica.

É igualmente fundamental reconhecer que, ao longo de sua trajetória, o museu esteve frequentemente associado a narrativas hegemônicas e a processos de legitimação que privilegiaram determinadas vozes em detrimento de outras. Revisitar criticamente essa herança não enfraquece a instituição — ao contrário, fortalece sua legitimidade contemporânea, amplia sua função pública e qualifica sua capacidade de diálogo com a pluralidade social.

A definição contemporânea de museu aprovada pelo Conselho Internacional de Museus reafirma essas instituições como permanentes, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade, abertas ao público, acessíveis e inclusivas, comprometidas com a diversidade, a sustentabilidade e a atuação ética e participativa. Esse marco estabelece parâmetros claros de responsabilidade social e orienta a coerência entre princípios e práticas institucionais.


Unir um mundo dividido exige mais do que boas intenções. Exige revisão de estruturas, atualização de metodologias, democratização de processos decisórios e ampliação efetiva da participação social. Implica perguntar: quem decide o que deve ser preservado? Quais memórias são legitimadas e quais permanecem invisibilizadas? Quem participa da construção das narrativas museais? Que barreiras — físicas, comunicacionais, digitais, atitudinais, simbólicas ou econômicas — ainda limitam o acesso pleno aos direitos culturais?

Responder a essas questões requer compromissos institucionais consistentes: incorporar, de forma estruturante, as memórias e saberes de povos indígenas, comunidades quilombolas, populações negras, povos e comunidades tradicionais, pessoas com deficiência, mulheres, população LGBTQIAPN+, juventudes, pessoas idosas, migrantes e demais grupos historicamente excluídos; assegurar acessibilidade ampla como princípio permanente de gestão; fortalecer mecanismos de escuta ativa e construção compartilhada de narrativas, acervos e programações; e articular-se de forma transversal com políticas públicas de educação, direitos humanos, igualdade étnico-racial, sustentabilidade e desenvolvimento territorial.

Os museus preservam registros das dores, das resistências e das criações que constituem a experiência social. Ao reconhecer conflitos e desigualdades, contribuem para processos de reparação simbólica e amadurecimento institucional. Ao promover experiências educativas críticas e sensíveis, ampliam o pensamento reflexivo e estimulam a participação ativa da sociedade na definição dos sentidos atribuídos ao patrimônio cultural.

Promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus, em comemoração ao Dia Internacional dos Museus (18 de maio), a 24ª Semana Nacional de Museus mobiliza milhares de instituições em todo o território nacional. Exposições, seminários, oficinas, visitas mediadas e ações educativas realizadas entre 18 e 24 de maio constituem oportunidades concretas para reafirmar o museu como espaço público de exercício cidadão e de redistribuição simbólica do poder de narrar histórias.

Unir um mundo dividido não significa eliminar conflitos ou homogeneizar experiências. Significa criar condições institucionais e simbólicas para que diferenças coexistam com dignidade, reconhecimento e corresponsabilidade. Significa afirmar o museu como território de direitos e de participação social, onde a memória se converte em instrumento de aprendizado coletivo e de construção compartilhada de futuros mais equitativos.

A 24ª Semana Nacional de Museus é, portanto, um convite e um desafio. Transformar princípios em prática. Converter compromissos em ações estruturantes. Reafirmar, no cotidiano institucional, que o museu é espaço vivo, crítico e necessário para a construção de uma sociedade plural, democrática e comprometida com a dignidade humana.


PROGRAMAÇÃO

21/05, das 14h às 16h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina de Percussão

Roda de Percussão com a temática com ciranda como manifestação de união entre

pessoas.

21/05, das 18h às 21h, no Solar do Jambeiro

Solar de Memórias

Frequentadores do Solar do Jambeiro e pesquisadores da História partilham memórias

construídas na casa de cultura que celebra seus 25 anos de funcionamento. A Niterói

Livros media a atividade a partir de um roteiro dos conteúdos dos livros que publicou.


Com Beatriz Chacon, Vini Borges, Lúcio Antonyos, Railson Barboza, representantes do

Instituto Histórico e Geográfico de Niterói e da Academia Fluminense de Letras, Jordão

Pablo de Pão e participação do público


22/05, das 10h às 12h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina de escrita jovem

Você vai ao museu para que? Uma oficina diferentona que parte das suas experiências nos

museus da cidade em registros literários e visuais contemporâneos

Oficineira: Thati Machado

22/05, das 14h às 15h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina O Elo que nos Une

A partir da confecção de elos de papel personalizados, uma corrente será desenvolvida com

a reflexão sobre a importância de se unir para sermos mais fortes e chegarmos mais longe.

Quanto mais elos, mais forte e maior a corrente se torna.

Oficineiro: Ronan Pereira

22/05, das 14h às 16h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina de colagens memorialísticas

Já pensou que suas memórias podem virar um caderno ou um livro? Ou, quem sabe,

compor uma exposição em um museu? Esta oficina promove exercícios de expressão em

artes visuais, a partir da técnica da colagem.

Oficineira: Iva França

22/05, das 15h às 16h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Roda de Conversa “A força do outro lado da Corda”

Artistas niteroienses que já expuseram no museu Janete Costa e que trouxeram a

importância da Potência Periférica para o mundo através de sua arte.

Artistas convidados: Marlon, Josemias e Walkiria Nikteroy


23/05, das 10h às 11:30h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina de bonecas de tecido


A oficina de bonecas com a artista Cris Mathias é uma vivência poética para dar vida a

novas personagens utilizando sobras e resíduos têxteis. Vamos ressignificar o que seria

lixo, transformando impacto ambiental em criatividade.

Oficineira: Cris Mathias


23/05, das 11h às 11:30h, no Museu Janete Costa de Arte Popular

Oficina de Estamparia – Temperatura das Cores

A oficina trata-se de uma técnica simples de transferência de pigmentos oleosos (giz de

cera) para tecidos de fibras naturais através do calor.

Oficineiro: Rodrigo Paes


Locais:

Solar do Jambeiro

Rua Rua Presidente Domiciano, 195, Ingá

Museu Janete Costa

Rua Presidente Domiciano, 178, Ingá.

 
 
 

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