O tempo virou ingrediente principal: como o modelo Grab and Go está mudando a forma de comer nas cidades
- jornal bilhões

- 23 de jun.
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Busca por praticidade, refeições rápidas e operações mais enxutas impulsiona crescimento de formatos “pegue e leve” no mercado de alimentação brasileiro
A correria das grandes cidades mudou não apenas a rotina das pessoas, mas também a forma como elas se alimentam. Entre reuniões, deslocamentos longos, trânsito e agendas cada vez mais apertadas, sentar com calma em um restaurante durante a semana virou quase um luxo para muita gente. Em meio a esse cenário, o modelo Grab and Go, conhecido pelo conceito de “pegar e levar”, deixou de ser uma solução pontual e passou a ocupar espaço definitivo no cotidiano urbano.
Antes mais associado a aeroportos, lojas de conveniência e estações de transporte, o formato agora avança sobre cafeterias, restaurantes, franquias e mercados de alimentação rápida. A lógica é simples: refeições práticas, operação ágil e uma experiência pensada para acompanhar o ritmo acelerado das cidades.
Os números ajudam a explicar essa transformação. Segundo levantamento do IMARC Group, o mercado brasileiro de foodservice movimentou US$ 55,6 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 94,8 bilhões até 2034, impulsionado principalmente pela busca por conveniência e pelo crescimento dos pedidos digitais. O estudo mostra ainda que o Brasil já soma cerca de 55 milhões de usuários ativos de aplicativos de delivery, reforçando uma mudança de comportamento cada vez mais consolidada.
Mais do que uma tendência passageira, o Grab and Go reflete uma nova relação do consumidor com o tempo. Hoje, comer bem continua sendo importante, mas rapidez e praticidade passaram a ter peso decisivo na experiência. O cliente quer qualidade, mas sem filas longas, demora ou processos complicados.
Esse comportamento abriu espaço para modelos de operação menores, mais inteligentes e adaptados a pontos de alto fluxo. Em vez de grandes salões e estruturas robustas, cresce o interesse por lojas compactas, cardápios objetivos e processos simplificados. O foco está em agilidade operacional e eficiência.
É dentro desse movimento que marcas como a Itália no Box vêm apostando em formatos mais flexíveis e alinhados ao conceito. A proposta acompanha um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros: fazer refeições rápidas entre compromissos, durante o expediente ou no caminho entre um destino e outro.
O avanço desse modelo também acompanha mudanças no empreendedorismo ligado à alimentação. Formatos enxutos representam uma alternativa mais acessível de expansão, especialmente em regiões com grande circulação de pessoas. Estações de transporte, galerias comerciais, universidades e centros corporativos passaram a ser vistos como territórios estratégicos para esse tipo de operação.
Outro fator importante é o comportamento das novas gerações. Consumidores mais jovens valorizam autonomia, rapidez e experiências sem atrito. Aplicativos, totens de autoatendimento, pagamento digital e retirada simplificada deixaram de ser diferenciais tecnológicos e passaram a fazer parte da expectativa básica de consumo.
Ao mesmo tempo, o Grab and Go deixou de ser sinônimo apenas de velocidade. O modelo também passou a incorporar atributos ligados à personalização. Hoje, o consumidor quer encontrar opções práticas, mas que também conversem com qualidade, identidade e experiência gastronômica.
No franchising, esse cenário influencia diretamente os planos de crescimento das redes de alimentação. A expansão já não depende exclusivamente de grandes espaços físicos, mas da capacidade de ocupar pontos estratégicos de forma inteligente e adaptável.
Para o mercado, a transformação sinaliza uma mudança importante na forma como as cidades consomem alimentação fora de casa. O restaurante tradicional continua relevante, mas agora divide espaço com modelos desenhados para uma rotina em que tempo virou um dos ativos mais valiosos da experiência de consumo.




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