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OPERAÇÃO CONTRA ESQUEMA CLANDESTINO DE “CANETAS EMAGRECEDORAS”


Uma investigação policial revelou um sofisticado esquema de comercialização clandestina de medicamentos utilizados em canetas emagrecedoras, comandado por um dentista que utilizava a própria clínica odontológica como ponto de distribuição. A operação resultou na prisão do profissional e também de sua esposa, uma médica suspeita de participar diretamente da fraude.


De acordo com as investigações, o dentista solicitava à esposa que emitisse receitas médicas em seu nome, simulando a necessidade do medicamento. Embora as receitas fossem formalmente verdadeiras, o conteúdo era considerado fraudulento, já que eram prescrições direcionadas ao próprio marido com o objetivo de viabilizar a manipulação da substância em farmácias especializadas.


Com as receitas em mãos, o dentista encomendava a manipulação do material em clínicas e farmácias de manipulação em São Paulo, trazendo posteriormente os produtos para revenda fracionada. O medicamento era então comercializado para clientes selecionados, principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, sem qualquer registro ou autorização sanitária.


Durante a operação, policiais cumpriram 57 mandados de busca e apreensão em diversas cidades da Bahia e também na capital paulista. Em um dos endereços investigados — a farmácia pertencente ao dentista — os agentes encontraram medicamentos à base de retraprodutida, substância que teve sua comercialização, fabricação, distribuição, importação e uso proibidos no Brasil em janeiro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Segundo a polícia, os produtos eram fabricados por empresas desconhecidas, sem qualquer registro, notificação ou cadastro junto à agência reguladora. Mesmo assim, eram anunciados livremente em perfis de redes sociais, atraindo consumidores interessados em medicamentos de emagrecimento rápido.


As investigações indicam que os suspeitos integravam uma rede estruturada de comercialização clandestina, especializada na venda de substâncias usadas em canetas emagrecedoras — muitas vezes sem prescrição médica válida e fora dos padrões sanitários exigidos pela legislação brasileira.


O dentista preso seria o principal articulador do esquema. Ele solicitava a manipulação das substâncias em São Paulo, determinava a entrega diretamente em sua clínica odontológica e fazia a distribuição seletiva para clientes de confiança. Em alguns casos, as vendas também aconteciam em ambientes discretos, como salões de beleza, sempre para um público previamente filtrado.


Os investigadores identificaram ainda que o suspeito realizava uma espécie de triagem informal dos compradores. Antes de aceitar a venda, ele costumava fazer perguntas aos interessados, tentando verificar o nível de confiança e evitar exposição do esquema.


A polícia agora analisa os materiais apreendidos, celulares e equipamentos eletrônicos, que podem revelar novos participantes da rede e a extensão da comercialização irregular dos medicamentos.


As autoridades alertam que o uso de substâncias manipuladas sem controle sanitário pode representar graves riscos à saúde, especialmente quando produzidas por empresas sem autorização e comercializadas fora dos canais legais.

 
 
 

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