Projeto para limitar ligações repetitivas avança e amplia debate sobre abusos no telemarketing
- jornal bilhões

- 22 de abr.
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Com aumento das reclamações, proposta busca conter chamadas insistentes no país
As iniciativas para limitar contatos repetitivos de telemarketing ganharam um novo capítulo. Na última quarta-feira, 15, o senador Laércio Oliveira (PP-SE) apresentou, na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC), seu relatório ao Projeto de Lei nº 2.616/2025, que propõe restringir abordagens insistentes, com o objetivo de reduzir excessos e melhorar a experiência do brasileiro no atendimento.
O projeto estabelece diretrizes para disciplinar a frequência das interações e coibir práticas abusivas, especialmente em casos de contatos reiterados que geram desgaste ao cliente. A movimentação ocorre em um momento em que o tema ganha força no debate público, impulsionado pelo aumento das reclamações e pela demanda por interações mais respeitosas.
A insatisfação também se reflete na adesão a mecanismos de bloqueio. A plataforma “Não Me Perturbe”, já reúne mais de 14 milhões de números cadastrados, com crescimento contínuo ao longo dos últimos anos. Ainda assim, dados da Anatel indicam que o volume de reclamações sobre serviços de telecomunicações aumentou em 2025, evidenciando que, mesmo com ações de restrição, o desconforto com abordagens recorrentes e práticas invasivas persiste.
Para Rodrigo Mandaliti, presidente do IGEOC (Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança), a proposta é positiva, mas exige atenção na forma como será interpretada e aplicada. “É uma iniciativa importante para proteger o consumidor de excessos. O ponto agora é garantir clareza na aplicação, para diferenciar práticas abusivas de comunicações necessárias, especialmente em casos de cobrança, que fazem parte da organização financeira e do funcionamento do crédito”, afirma.
Segundo ele, o principal desafio está em estabelecer essa diferenciação na prática. “Isso exige qualificar o contato, com interações mais precisas, transparentes e respeitosas, sem perder a efetividade da comunicação entre empresas e clientes”, conclui.
A proposta reforça uma mudança na forma como empresas se relacionam com seus públicos. A tendência é de um modelo menos baseado em volume e mais orientado à qualidade, alinhado a um público cada vez mais atento e exigente.




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