A Terra não precisa de discursos, precisa de compromisso por Francyne Elias-Piera
- jornal bilhões

- 22 de abr.
- 2 min de leitura

Eu poderia começar este texto falando sobre a grandiosidade do planeta, sobre suas florestas, oceanos e biodiversidade. Mas a verdade é que, nesse mês de celebração do Dia da Terra, a maior atenção não é a beleza, é a urgência.
Ao longo da minha trajetória, especialmente nas vivências em ambientes polares, aprendi que a Terra não é um conceito abstrato. Ela é um organismo vivo, sensível, interligado. E quando uma parte adoece, todo o sistema sente.
A Antártica, por exemplo, costuma ser vista como distante, quase intocável. Mas ela é um termômetro do planeta. O que acontece lá não fica lá. O derretimento do gelo, a alteração das correntes oceânicas, a perda de equilíbrio climático impactam diretamente a vida em todos os continentes, inclusive nas cidades onde vivemos, trabalhamos e tomamos decisões.
Falar de mudanças climáticas ainda gera desconforto em muitos espaços. Às vezes por parecer um tema complexo, outras vezes por exigir mudanças que nem sempre queremos fazer. Mas ignorar não é mais uma opção.
Hoje, mais do que nunca, precisamos entender que sustentabilidade não é uma pauta acessória. É central. E quando falamos de ESG, especialmente do pilar ambiental, estamos falando de responsabilidade concreta, de escolhas diárias e de compromisso coletivo.
Não existe solução isolada. Não existe protagonismo individual que dê conta da dimensão desse desafio. O que existe é corresponsabilidade.
Como educadora, vejo na formação de professores e na educação ambiental um dos caminhos mais potentes de transformação. Porque é ali que plantamos consciência. E consciência gera mudança de comportamento. E mudança de comportamento, quando coletiva, gera impacto real.
Mas também é preciso ir além da conscientização. Precisamos de ação.
A Terra não precisa que a gente a celebre apenas em datas simbólicas. Ela precisa que a gente a respeite todos os dias. Nas decisões de consumo, nas políticas públicas que defendemos, nas empresas que construímos, nas narrativas que escolhemos fortalecer.
Cuidar da Terra é, no fundo, cuidar de nós mesmos. É entender que não existe futuro possível em um planeta em desequilíbrio.
Neste 22 de abril, eu não faço apenas uma reflexão. Eu faço um convite.
Que a gente pare de tratar a sustentabilidade como tendência e passe a tratá-la como compromisso. Que a gente pare de adiar decisões difíceis e comece a agir com a urgência que o tempo exige.
Porque a Terra já está falando.
A pergunta que fica é: nós estamos, de fato, dispostos a escutar?
*Sobre a autora:*
Francyne Elias-Piera é fundadora e Presidente do Instituto Gelo na Bagagem, influenciadora
digital, especialista em ecologia polar e ESG ambiental. Atua na formação de professores,
criação de conteúdos educativos e palestras sobre Antártica, mudanças climáticas e oceanos.




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