Após mudança no governo do Rio, guerra entre CV, TCP e milícias se intensificou na capital. VEJA OS LOCAIS MAIS PROBLEMÁTICOS
- Mario Hugo Monken
- há 2 dias
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Depois que o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo do estado, os confrontos entre facções criminosas se intensificaram em diferentes regiões da capital.
Na chamada Zona Sudoeste carioca, que já vinha sendo palco de disputas pelo menos desde 2023, a situação se agravou ainda mais. O Comando Vermelho (CV), que já havia ampliado sua presença na região, intensificou os ataques contra Rio das Pedras, em Jacarepaguá.
O cenário se deteriorou após vários ex-milicianos, liderados por Kauan Oliveira Telles, migrarem para a facção, fortalecendo o grupo criminoso e ampliando a frequência dos confrontos. Durante semanas, moradores relataram intensos tiroteios e ataques que deixaram mortos e espalharam o medo pela comunidade.
Os milicianos de Rio das Pedras estariam contando com o apoio de traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) para tentar conter o avanço do CV.
Em Curicica, a poucos quilômetros dali, os traficantes seguiram investindo contra a comunidade Dois Irmãos. O episódio mais emblemático ocorreu quando uma granada lançada por um drone atingiu a sede da Associação de Moradores, deixando um homem ferido.
Na Taquara, a disputa continua concentrada na localidade da Colônia, onde a guerra também já provocou homicídios.
O Recreio dos Bandeirantes permanece convivendo com uma rotina de violência. Somente neste fim de semana, três pessoas foram mortas e uma ficou ferida a tiros. O bairro também registrou outros assassinatos nos últimos meses.
Em Vargem Grande, o clima continua de tensão depois que o TCP perdeu comunidades que controlava para o Comando Vermelho. Desde então, o medo passou a fazer parte do cotidiano dos moradores.
Na Zona Norte, um dos principais focos da guerra é Cordovil. Traficantes ligados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do TCP, invadiram as comunidades da Tinta e do Dourado e expulsaram rivais do Comando Vermelho.
A ofensiva culminou em uma chacina que deixou sete mortos, entre eles uma jovem autista de 22 anos. Desde então, os confrontos passaram a ser marcados por sucessivos ataques com granadas lançadas por drones utilizados pelos dois grupos criminosos.
No vizinho Jardim América, Peixão também disputa território com o Comando Vermelho. Em meio à guerra, uma idosa de 75 anos, sem qualquer envolvimento com o crime, acabou morta.
A situação pouco mudou em Costa Barros e Barros Filho, bairros historicamente marcados pela guerra entre os complexos da Pedreira (TCP) e do Chapadão (CV). Tiroteios constantes continuam fazendo parte da rotina da população.
Na Tijuca, o Comando Vermelho voltou a intensificar os ataques contra comunidades dominadas pelo TCP, como Cruz, Chácara do Céu e Casa Branca. Os confrontos ocorrem em plena luz do dia e já vitimaram moradores inocentes, entre eles um idoso de 80 anos.
Outro ponto crítico permanece sendo o Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Em um ataque recente à comunidade, controlada pelo CV, criminosos do TCP mataram três pessoas, incluindo um jovem lutador de apenas 16 anos.
Na Zona Oeste, a violência também continua elevada. O Comando Vermelho mantém ofensivas frequentes contra áreas controladas por milicianos, principalmente em Campo Grande.
Nesta semana, viralizou um vídeo que mostra traficantes usando fardas militares desembarcando de uma van para atacar integrantes da milícia.
Outro aspecto que chama atenção é o aumento dos ataques contra policiais em serviço. Nas últimas semanas, dois agentes da Polícia Civil foram mortos em Guadalupe e um policial militar morreu durantea atentado
na Avenida Brasil.
Diante desse cenário, as respostas do Estado têm sido marcadas por operações pontuais das polícias Militar e Civil, que resultam em prisões e mortes de criminosos, mas sem interromper a escalada da violência.
Em Rio das Pedras, uma das ações que mais repercutiram foi a descoberta de um cemitério clandestino instalado dentro de um poço com cerca de 20 metros de profundidade.
Muitas operações policiais também terminam provocando reações de criminosos, com ônibus sequestrados e atravessados nas vias, bloqueios de trânsito e intensos tiroteios que obrigam o fechamento de escolas e unidades de saúde. Um dos casos mais recentes ocorreu na Gardênia Azul.
Paralelamente às ações de combate armado, a Polícia Civil tem concentrado esforços para asfixiar financeiramente o Comando Vermelho. Entre as investigações anunciadas nas últimas semanas está uma que aponta que familiares do chefe da facção, Marcinho VP, teriam participado de um esquema de lavagem de dinheiro para a organização criminosa.





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