Casa de Metal apresenta exposições que investigam o pigmento como origem da arte
- jornal bilhões

- 8 de jun.
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Mostras de Verônica Spnela e Ana Elisa Murta exploram, sob diferentes perspectivas, a transformação dos minerais em cor, linguagem e expressão artística
Em cartaz desde abril de 2026, na *Casa de Metal Espaço Cultural* , as exposições “Alquimia da Terra: a origem mineral da expressão humana”, de Verônica Spnela, e “Geopoéticas da Matéria”, de Ana Elisa Murta, seguem convidando o público a mergulhar na relação entre minerais, pigmentos e produção artística. A programação é realizada pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Instituto Cultural Quattro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Partindo de um mesmo eixo conceitual, as duas mostras investigam como a matéria mineral atravessa a história da arte e continua sendo reinventada na produção contemporânea. Entre instalações, experimentações cromáticas, pesquisas materiais e processos de transformação, as artistas aproximam o público de temas ligados à geologia, química, pintura e território.
Em *“Alquimia da Terra”* , Verônica Spnela propõe uma leitura da história da arte a partir da origem das cores. Em vez de organizar a narrativa por escolas artísticas ou movimentos estéticos, a exposição destaca os materiais que tornam a pintura possível, revelando como minerais e pigmentos influenciaram diferentes períodos da produção artística. A experiência conduz o visitante por escalas que vão do território à composição química, evidenciando o percurso que transforma rochas em cor. “Quando você entende de onde vem a cor, muda também a forma de olhar para a pintura”, afirma a artista.
Já em *“Geopoéticas da Matéria”* , Ana Elisa Murta investiga o pigmento como matéria viva e contemporânea. Utilizando rejeitos minerais para desenvolver tintas próprias, a artista constrói obras que evidenciam textura, densidade e origem dos materiais, transformando resíduos em linguagem artística. “Neste processo, a tinta deixa de ser neutra. Ela carrega um percurso, uma origem”, destaca Murta.
Embora partam de perspectivas distintas, as duas exposições se aproximam ao colocar o pigmento no centro da narrativa. Enquanto Spnela evidencia como os minerais moldaram a produção artística ao longo da história, Murta demonstra como esses mesmos materiais podem ser ressignificados no presente, inclusive em diálogo com práticas ligadas à sustentabilidade e ao reaproveitamento de recursos.
Para Flavio Enninger, diretor do Instituto Cultural Quattro, responsável pela Casa de Metal, iniciativas como esta reforçam o papel do espaço como mediador entre conhecimento técnico e expressão cultural. “A Casa de Metal nasce com a premissa de aproximar o público de temas que, muitas vezes, parecem distantes, como a metalurgia, a mineração e os materiais. Quando a arte entra como linguagem, esse conhecimento se torna acessível”, afirma.
Ao reunir as duas mostras, a Casa de Metal propõe um percurso que conecta ciência, arte e materialidade, convidando o visitante a perceber que a cor, antes de ser imagem, é resultado de processos físicos, químicos e territoriais em constante transformação. As exposições seguem em cartaz até 18 de dezembro de 2026.
Serviço
Exposições | Alquimia da Terra e Geopoéticas da Matéria
Local: Casa de Metal Espaço Cultural
Visitação: até 18 de dezembro de 2026, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Agendamentos: cris@casademetalcultural.com.br
*Sobre Verônica Spnela*
Verônica Spnela é artista visual, museóloga e professora universitária na Belas Artes de São Paulo. Sua atuação se concentra na pesquisa, no ensino e na experimentação de materiais no campo das artes, investigando a relação entre matéria, técnica e linguagem, com foco na origem e no uso de pigmentos ao longo da história da arte.
Sua prática articula pesquisa histórica e científica à produção autoral em pintura, explorando processos de transformação de materiais brutos, como rochas e minerais, em cor e expressão visual. Em seu trabalho, reflete sobre transformações, adaptações e símbolos universais que conectam existência e cultura, aproximando arte, química e geologia a partir de uma leitura material e contextualizada da pintura.
*Sobre Ana Elisa Murta*
Nascida em Belo Horizonte, Ana Elisa Murta é artista visual e investiga a relação entre matéria, território e pintura. Seu trabalho se destaca pelo desenvolvimento de tintas ecológicas a partir de minerais e rejeitos da mineração, propondo novas possibilidades para o uso desses materiais na arte contemporânea.
À frente da iniciativa Jardim Mineral, a artista mantém colaboração técnico-científica com o Escalab, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), voltada ao desenvolvimento e aprimoramento de tintas e texturas minerais atóxicas. A parceria envolve atividades de pesquisa, testes laboratoriais e validação técnica dos materiais, contribuindo para aplicações artísticas, arquitetônicas e socioambientais.
*Sobre a Casa de Metal Espaço Cultural*
A Casa de Metal Espaço Cultural é um centro dedicado à difusão de conhecimento e à promoção do diálogo entre arte, ciência, indústria e educação. O espaço abriga o Memorial da Mineração, Metalurgia e Materiais, além de exposições, atividades culturais, projetos educativos e iniciativas voltadas à relação entre materiais, tecnologia e criatividade.
Sob chancela da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), a instituição reúne artistas, pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas em uma programação que busca ampliar a compreensão sobre o papel dos metais, minerais e materiais na sociedade contemporânea.




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