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Depois do certificado, o que muda?

30 de set.
3 min de leitura

A distância entre fazer cursos e se desenvolver

Carlos Augusto Rodrigues, especialista em Educação Corporativa, analisa como transformar o aprendizado em mudanças na vida profissional

O curso de comunicação terminou, mas a conversa difícil com um colega continua sendo adiada. O treinamento sobre gestão do tempo foi concluído, enquanto a organização da rotina permanece um desafio. Situações como essas ajudam a explicar por que ter acesso ao conhecimento e conseguir utilizá-lo são etapas diferentes da aprendizagem.

Para Carlos Augusto Rodrigues, especialista em Treinamento e Desenvolvimento e Educação Corporativa, certificados representam conquistas importantes. O que eles não mostram, isoladamente, é como o aprendizado passou a fazer parte das decisões e atitudes de quem participou da formação.

“O treinamento pode apresentar uma ideia, oferecer uma ferramenta e ampliar repertório. O desenvolvimento começa a aparecer quando alguma coisa muda na forma como percebemos, decidimos ou agimos”, afirma.

A reflexão interessa a quem investe na própria carreira e também às empresas que oferecem capacitação às equipes. Concluir uma formação permite acompanhar a participação. Compreender seus efeitos exige olhar para o que acontece depois: quais conhecimentos foram utilizados, que dificuldades surgiram e onde ainda é necessário apoio.

Um exemplo está nos cursos de feedback. Conhecer as etapas de uma boa conversa pode ajudar na preparação, mas não elimina o receio de desagradar alguém ou a insegurança diante de uma reação inesperada. A prática envolve relações, emoções e consequências que nem sempre podem ser reproduzidas durante um treinamento.

Por isso, a dificuldade para aplicar um conteúdo não significa, automaticamente, que o curso tenha sido inútil ou que tenha faltado dedicação ao participante. Pode indicar a necessidade de mais prática, de orientações adicionais ou de condições favoráveis no ambiente de trabalho.

“Precisamos perguntar também se a pessoa teve oportunidade de experimentar o que aprendeu. Ela recebeu apoio? Conseguiu conversar sobre suas dúvidas? O desenvolvimento envolve a iniciativa individual, mas também o contexto em que esse aprendizado será utilizado”, explica Carlos.

Nesse processo, gestores e profissionais de Recursos Humanos podem ajudar a conectar a formação a situações concretas. Depois de um curso de comunicação, por exemplo, um primeiro exercício pode ser organizar melhor as orientações de uma reunião e verificar como foram compreendidas pela equipe. Retomar essa experiência permite identificar avanços e ajustar o que ainda não funcionou.

A aplicação não precisa ocorrer de uma só vez. Algumas mudanças aparecem primeiro na capacidade de reconhecer um problema, considerar outro ponto de vista ou preparar uma decisão com mais cuidado. Observar esses movimentos evita tanto a cobrança por uma transformação imediata quanto a suposição de que o certificado encerra o processo.

Também há espaço para aprender fora dos cursos. Uma troca com um colega, uma leitura ou uma orientação breve podem ajudar a enfrentar uma necessidade específica. Para Carlos, o valor dessas experiências está na relação com o desafio vivido e nas possibilidades que abrem para a ação.

O assunto é desenvolvido pelo especialista na newsletter Horizontes, no artigo “Nem todo treinamento gera desenvolvimento”. A proposta é ampliar o olhar sobre as experiências de aprendizagem e sobre o que fazemos a partir delas.

“Não se trata de diminuir a importância dos cursos que fizemos. Trata-se de olhar para eles com uma pergunta a mais: o que consigo compreender, decidir ou fazer melhor depois dessa experiência? Essa resposta ajuda a reconhecer conquistas e perceber o que ainda precisa ser desenvolvido”, conclui.

Sobre Carlos Augusto Rodrigues

Especialista em Treinamento e Desenvolvimento, DHO e Educação Corporativa, Carlos Augusto Rodrigues atua com aprendizagem corporativa, desenvolvimento de lideranças e cultura organizacional. É formado em Comunicação Social, possui MBA em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduação em Educação Corporativa. É autor da newsletter Horizontes, no LinkedIn.

 
 
 

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