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Depressão pós folia existe. Saiba como proteger sua saúde mental* Dra. Andréa Ladislau / Psicanalista

E chegamos ao fim de mais um carnaval. O que para muitos pode vir a ser um período de tristeza intensa. Uma tristeza caracterizada pela sensação de vazio, quebra de expectativas e desânimo por ter que retornar à rotina normal, após os festejos de Momo. Para a psicologia essa sensação tem nome, é a “Depressão pós folia” ou Ressaca Emocional. Um tipo de desequilíbrio mental que engloba emoções e sentimentos que podem interferir no psicológico e no comportamento humano.


Para quem gosta e se entrega à folia, o período de carnaval, pode ser muito intenso, com inúmeros eventos, blocos, festas, desfiles, passeios e um lazer que, de alguma forma, sobrecarrega o corpo e a mente devido aos excessos, seja de estímulos, de euforia ou de diversão. Além disso, a falta de repouso, com poucas horas de sono, uma alimentação descontrolada, o consumo excessivo de álcool, entre outras questões, são ingredientes perfeitos para provocar essa exaustão emocional que é o puro suco do feriado prolongado, tão esperado e desejado por muitos brasileiros.


No entanto, toda essa intensidade pode estimular o surgimento de uma depressão pós folia, principalmente por dois fatores: se já existir uma tendência a reflexos depressivos ou se a volta à rotina for muito abrupta e nada gradual. A melhor maneira de identificar os sinais da ressaca emocional é observar e gerenciar o que está sentindo ao precisar retornar para a realidade de compromissos e afazeres. A tristeza, a irritabilidade, a exaustão mental, a fadiga, a desmotivação, o desânimo e a baixa energia, são os principais sintomas dessa condição.


A Neuropsicologia vai explicar a Depressão pós folia como sendo uma resposta do nosso cérebro para a frustração com o fim dos momentos de prazer e euforia. Essa mudança de estímulos provoca um esgotamento dos neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem estar e recompensa. Isso acontece porque, após vários dias de produção contínua de Dopamina, o cérebro sente uma baixa natural e se sensibiliza com a falta de Serotonina. Ou seja, biologicamente, o corpo e a mente respondem com uma sensação de “bateria baixa”, sentimentos de solidão, falta de conexão e, em alguns casos, até gatilhos de culpa se fazem presente, quando os gastos financeiros desenfreados no período de carnaval, provocam arrependimento.


Se os momentos de adrenalina das festas contribuem para uma intensa socialização e interação, a volta à rotina pode reforçar a solidão, o que vai exigir alguns cuidados para a recuperação do equilíbrio físico e emocional. São eles: estimular um retorno progressivo às atividades cotidianas, principalmente, se o indivíduo tiver muitos compromissos a cumprir; regularizar o sono e a alimentação, evitando a continuidade dos excessos; planejar e organizar pequenos prazeres diários para aumentar a produção hormonal, como encontro com amigos ou a prática de esportes ao ar livre, em contato com a natureza; pausar o consumo de bebida alcóolica para ajudar o corpo a se recuperar e hidratar-se com frequência ao longo do dia, também são fundamentais.


Portanto, se a Depressão pós folia resolver dar as caras, os sintomas podem ser combatidos através da retomada gradual da rotina e da administração de hábitos saudáveis. Além disso, já que muitos entendem que é após o Carnaval que o ano começa, crie novas metas e planos para os próximos meses. Isso vai aumentar o entusiasmo e espantar a tristeza e a sensação de vazio.

 
 
 

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