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"Jairinho é um psicopata", diz psiquiatra durante julgamento de caso Henry Borel

Depois de seguir madrugada adentro, o II Tribunal do Júri retomou, na manhã desta quarta-feira, 27 de maio, o julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros da Costa e Silva, acusados da morte do menino Henry Borel, de apenas quatro anos. 


 A sessão, no terceiro dia de julgamento, começou por volta das 11h40 com o depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon Robeiro. Ele, contratado pela assistência de acusação, traçou, com base em entrevistas e análise de todo o processo, um perfil psicológico e psiquiátrico dos réus.


Para o médico psiquiatra, o réu possui características de um psicopata e os traços de sua personalidade indicam um comportamento de quem sente satisfação ou sadismo em praticar atos fora dos padrões de normalidade. 


Ao responder às perguntas do Ministério Público, o psiquiatra disse que, ao entrevistar ex-namoradas de Jairinho que tinham filhos pequenos na época em que se relacionavam, ouviu relatos de que as crianças sofriam maus-tratos e até práticas de tortura. 


“Eu fiz entrevistas com duas ex-namoradas e ouvi casos de um padrão comum de violência praticado por Jairinho contra seus filhos pequenos. E isso me faz acreditar em um mesmo padrão praticado pelo réu também com o menino Henry”, disse o psiquiatra.  


Após o intervalo para o almoço, por volta das 14h50, Rafael respondeu questionamentos do MP sobre o comportamento de Monique, destacando que não identificou uma relação de dependência no relacionamento entre Jairo e a mãe de Henry, além de notar nas ações da ré uma postura de acobertamento diante das violências sofridas pelo filho.  


“O Henry apresentava comportamentos clássicos de quem sofria abuso, e o normal seria que a mãe tomasse providências para sua proteção.” 


Por volta das 20h, a médica Maria Cristina de Souza Azevedo passou a ser ouvida no plenário do júri. Ela estava de plantão no hospital Barra D'or  e prestou os primeiros socorros ao menino Henry Borel. Durante quase três horas e meia a pediatra respondeu às perguntas do Ministério Público, do assistente de acusação e das defesas de Jairinho e Monique, esclarecendo sobre os procedimentos adotados pela equipe durante o atendimento e sobre as informações contidas no prontuário do menino. A sessão de julgamento foi suspensa às 22h15, ao fim dos esclarecimentos da testemunha. A sessão será retomada nesta quinta-feira, 28 de maio, às 9h.


Segundo dia de julgamento

A terça-feira, 26 de maio, foi marcada pelo início dos depoimentos das testemunhas. O primeiro a ser ouvido foi o delegado Édson Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) à época do crime e responsável pela investigação. 


Ao ser questionado pelo assistente de acusação se Monique minimizou ou protegeu Jairinho sobre as acusações, o delegado foi categórico: “Evidente que sim. Ela sabia como o menino apanhava. Sabia que estava com um companheiro que agredia o filho dela. Eu fiquei seis horas em depoimento com a Monique e ela apresentou uma versão completamente mentirosa.”


Damasceno também afirmou que não viu qualquer indício durante a investigação de que Monique Medeiros foi coagida por Jairo. Para ele, os dois réus mentiram na delegacia. “O laudo não apontou um acidente doméstico. O laudo demonstra que houve um homicídio.”


A segunda testemunha a ser ouvida, num depoimento que começou às 21h e terminou às 2h da manhã desta quarta-feira, 27 de maio, a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros Caldas, da 16ª DP, que participou das investigações, afirmou que Monique Medeiros tinha pleno conhecimento das agressões que o filho sofria e foi omissa ao não tomar providências para protegê-lo. As investigações apontaram que o casal mentiu e apresentou contradições nos depoimentos, agindo de forma coordenada para encobrir o crime. A análise corrobora o que já havia sido dito pelo delegado Henrique Damasceno, que iniciou o caso.


Ana Carolina relembrou que Jairinho possui um histórico de relacionamentos abusivos. Em casos anteriores, filhos de ex-companheiras do ex-vereador já haviam demonstrado medo e rejeição a ele devido a episódios de agressão. Ainda segundo a delegada, logo após o falecimento de Henry, Jairinho teria tentado impedir que o corpo fosse enviado ao Instituto Médico-Legal (IML), tentando obter a liberação diretamente no hospital. Ela reiterou a importância das mensagens encontradas no celular da babá de Henry, que foram fundamentais para desmentir a versão do casal e confirmar que a criança já sofria agressões dentro do apartamento onde morava.


Denúncia 

Segundo a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, o ex-vereador, então padrasto de Henry Borel, causou as lesões que foram a causa única e eficiente da morte da criança. Ainda segundo o MP, Monique Medeiros, na condição de mãe e responsável legal, se omitiu diante das agressões, contribuindo para a consumação do crime.  

Jairinho responde por homicídio qualificado, com agravantes de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos e agravante por ter se prevalecido de relações domésticas; e três torturas agravadas por terem sido praticadas prevalecendo-se de relações domésticas e contra criança, além de coação no curso do processo. 


Já Monique responde por homicídio por omissão qualificado pelo motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com causa de aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos e com duas agravantes por ser a vítima descendente e prevalecendo-se de relações domésticas; duas torturas com as mesmas causas de aumento de pena e agravantes; e coação no curso do processo.   



 
 
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