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Networking presencial volta com força total e vira estratégia essencial para impulsionar negócios e carreiras em 2026

Pesquisa internacional mostra que 49% dos profissionais pretendem participar de eventos em 2026 para conhecer pessoas e fortalecer relacionamentos


Após anos de intensa digitalização das relações profissionais, o networking presencial voltou a ocupar espaço relevante nas estratégias de empresários e executivos. Videoconferências, plataformas colaborativas e aplicativos de mensagens tornaram a comunicação mais rápida, mas não eliminaram a importância do contato direto para desenvolver confiança, identificar interesses em comum e construir parcerias.


O movimento aparece no relatório internacional Why We Gather 2026, produzido pela Hilton a partir de uma pesquisa realizada pela Ipsos. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados apontam o encontro com novas pessoas e o fortalecimento dos vínculos com a equipe como uma das principais razões para participar de eventos profissionais neste ano. Outros 45% pretendem utilizar o tempo livre dessas ocasiões para ampliar sua rede de relacionamento.


A pesquisa ouviu 3.150 adultos dos Estados Unidos, Reino Unido e Índia que planejavam comparecer a algum evento de trabalho presencial nos 24 meses seguintes. Embora não retrate especificamente o comportamento dos brasileiros, o estudo indica uma valorização internacional das conexões construídas fora das telas.


O levantamento também revela que 45% dos participantes frequentam esses ambientes com o objetivo de estabelecer relacionamentos capazes de contribuir para o avanço profissional. Entre os integrantes da geração Z, o índice chega a 52%. Além disso, 67% afirmam que só pretendem comparecer a compromissos alinhados às suas metas de carreira.


No Brasil, o avanço dos eventos corporativos reforça essa tendência. Dados da plataforma DataEventos mostram que o número de encontros empresariais realizados no país cresceu 19,98% em 2025, na comparação com o ano anterior. As solicitações de propostas aumentaram 38,31% no mesmo período.


O setor de eventos também iniciou 2026 em patamar recorde. Segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos, o consumo relacionado a eventos, cultura e recreação somou R$25,33 bilhões no primeiro bimestre, o maior resultado da série histórica iniciada em 2019. A atividade de organização de eventos apresentou crescimento de 149,1% no número de empregos formais em relação ao período anterior à pandemia.


Os indicadores ajudam a dimensionar a retomada do contato direto, mas a mudança não está apenas na quantidade de compromissos realizados. O próprio significado do networking passou por uma transformação. A simples troca de cartões e apresentações rápidas perde espaço para ambientes nos quais os participantes possam compartilhar experiências, compreender desafios e encontrar possibilidades concretas de colaboração.


Uma pesquisa da Freeman sobre networking em eventos profissionais mostra que 43% dos participantes consideram a identificação de novos fornecedores um indicador de sucesso. Outros 33% avaliam o resultado pela quantidade de pessoas com quem mantêm contato entre seis e 12 meses depois, enquanto 32% observam o número de novas conexões estabelecidas.


Para Rodrigo Monteiro, idealizador do Clube CDC, a tecnologia aproximou profissionais e deu mais agilidade aos negócios, mas não substituiu a confiança desenvolvida por meio da convivência.


“A confiança nasce da proximidade. Quando empresários se encontram pessoalmente, conseguem compreender melhor a trajetória, os valores e a forma de atuação de cada profissional. Esse conhecimento faz diferença no momento de estabelecer uma parceria”, afirma.


Nesse cenário, clubes e comunidades empresariais vêm atraindo empreendedores interessados em ampliar sua rede de maneira qualificada. A proposta vai além de reunir pessoas em um mesmo ambiente. O objetivo é criar condições para que afinidades, interesses e oportunidades sejam identificados com maior naturalidade.


“O networking presencial não pode ser reduzido a uma troca de contatos. Esses encontros permitem conhecer a história por trás das empresas, identificar objetivos em comum e desenvolver relações mais consistentes. É nesse ambiente que surgem indicações, parcerias e negócios capazes de permanecer por muitos anos”, explica Monteiro.


A valorização do contato direto não representa o abandono dos recursos digitais. Os dois formatos cumprem funções complementares. Enquanto as plataformas online facilitam conversas, reuniões e o acompanhamento de projetos, a interação pessoal oferece elementos como linguagem corporal, espontaneidade e convivência, relevantes para conhecer melhor os interlocutores.


“A tendência é a consolidação de um modelo híbrido de relacionamento empresarial. A tecnologia mantém a conexão ativa, enquanto o presencial aprofunda os vínculos. Em um mercado competitivo, construir uma rede baseada em confiança pode se tornar uma vantagem estratégica para empresas que desejam crescer por meio de parcerias”, conclui Monteiro.

 
 
 

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