Sem abrir investigação, MP arquiva denúncia de guerra na Vila Sapê e outras acusações sobre milícias no Rio
- jornal bilhões

- 20 de mar.
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Diversas denúncias encaminhadas à Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) relatando a atuação de milícias em diferentes regiões da capital vêm sendo arquivadas sem a abertura de apuração preliminar. Segundo decisões do próprio órgão, os relatos são considerados apócrifos, sem identificação dos envolvidos ou elementos mínimos de prova que permitam a verificação dos fatos ou a instauração de investigação criminal.
De acordo com o MP, a ausência de informações básicas — como a qualificação dos suspeitos e indícios concretos — inviabiliza o prosseguimento das notícias de fato, ainda que descrevam situações potencialmente graves.
Entre os registros arquivados está uma denúncia de tiroteios entre traficantes e milicianos na comunidade da Vila Sapê, em Curicica, na Zona Oeste. O confronto citado, no entanto, tem sido relatado por moradores nas últimas semanas e já teria resultado em mortes, embora os envolvidos não tenham sido formalmente identificados nos relatos enviados à Ouvidoria.
Outras denúncias também foram arquivadas pelo mesmo motivo. Em Cosmos, há relatos sobre um bar onde milicianos se reuniriam diariamente portando armas de fogo. Já em Campo Grande, uma denúncia mencionava a realização de um evento, previsto para o dia 22 de março de 2026, organizado por um miliciano conhecido como “Papinha”, com a presença de homens armados.
Ainda na Zona Oeste, denúncias indicavam a cobrança de taxas de moradores por supostos milicianos, inclusive por meio de transferências via PIX, além da exploração irregular de serviços como TV a cabo clandestina.
Em Madureira, próximo a um shopping da região, um grupo seria apontado como responsável pela invasão de uma vila de casas após a morte do proprietário, passando a controlar o local e cobrar valores dos moradores. Já em Costa Barros, comerciantes estariam sendo coagidos a pagar por serviços de “segurança”, sob ameaça de fechamento dos estabelecimentos.
Na região de Curicica, diferentes denúncias mencionam a cobrança sistemática de taxas de segurança a moradores e comerciantes, além da atuação de indivíduos conhecidos por apelidos, como “Shurek”, supostamente envolvido em extorsões e armazenamento de armas.
Outros relatos arquivados citam a existência de milícias atuando em áreas como Paciência, onde haveria exploração imobiliária irregular, grilagem de terras e até o uso de estabelecimentos comerciais como fachada. Em um dos casos, um salão de festas pertencente a um ex-candidato a vereador teria ligação com integrantes de grupos paramilitares e agentes públicos.
Em Bangu, denúncias apontavam invasões de terrenos e expulsão de moradores. Já em Jacarepaguá, moradores estariam sendo obrigados a pagar taxas ilegais para retirada de encomendas de plataformas de comércio eletrônico.
Na Penha Circular, haveria cobrança por serviços básicos como luz, internet e gás, enquanto em Santa Cruz relatos indicam a prática de agiotagem por milicianos, com cobrança de juros abusivos e ameaças de morte, gerando clima de medo entre os moradores.
Apesar da gravidade dos relatos, o Ministério Público sustenta que a ausência de informações verificáveis impede o avanço das investigações. Especialistas em segurança pública, por outro lado, apontam que o anonimato é comum em denúncias envolvendo milícias, devido ao temor de represálias por parte das organizações criminosas.
Por Mario Hugo Monken




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