Tosse dos canis exige prevenção reforçada em creches durante outono e inverno Especialista orienta tutores sobre imunização, sinais respiratórios, afastamento temporário e cuidados na rotina coletiva
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Uma pesquisa publicada em 2025 na revista científica Frontiers in Veterinary Science identificou agentes respiratórios em 64% de 50 amostras clínicas coletadas de cães com suspeita de Complexo das Doenças Respiratórias Infecciosas Caninas, conhecido pela sigla CIRDC, durante o inverno de 2023-2024, nos Estados Unidos. Entre os animais avaliados, 78% apresentaram tosse. Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SP) alertou, em abril de 2026, que o outono, marcado pela queda das temperaturas e pela redução da umidade do ar, exige atenção redobrada à saúde respiratória dos pets, especialmente em locais com circulação de animais, como creches e daycares.
Para a médica-veterinária Emiliana Gallo, parceira do Patinhas Urbanas, a prevenção depende da atuação conjunta entre estabelecimentos e tutores. “Em ambientes de convivência, o primeiro cuidado é não expor outros cães quando o pet apresenta tosse, espirros, secreção nasal, apatia ou qualquer mudança no comportamento habitual. A vacinação em dia, a observação diária e o afastamento temporário em caso de sintomas são medidas fundamentais”.
Popularmente chamada de tosse dos canis, a doença não está associada a um único agente. O CIRDC pode envolver vírus e bactérias, como Bordetella bronchiseptica e vírus da parainfluenza canina, e é transmitido principalmente pelo contato próximo entre cães e por secreções respiratórias. Por isso, a ocorrência de sintomas requer atenção em locais onde os animais passam parte do dia juntos, como hotéis, abrigos, parques e creches.
Com unidades nos bairros do Imirim e da Casa Verde, na Zona Norte de São Paulo, o Patinhas Urbanas afirma organizar sua rotina de daycare e hospedagem com medidas voltadas à prevenção e à identificação rápida de alterações de saúde. Segundo Daniel Navarro, administrador e sócio da empresa, o cuidado inclui organização dos cães em grupos, higienização dos ambientes, circulação de ar, períodos de descanso e acompanhamento da equipe durante as atividades.
“Uma creche para cães precisa tratar saúde e bem-estar como parte da operação diária. Além da conferência da vacinação, a equipe observa se o animal apresenta tosse, indisposição, secreção ou comportamento diferente do habitual. Também organizamos os espaços e os momentos de descanso para evitar excesso de estímulo e permitir um monitoramento mais cuidadoso. Quando há qualquer sinal de alteração, o tutor é comunicado e o pet deve ser avaliado antes de voltar ao convívio coletivo”, afirma Navarro.
A estrutura do Patinhas Urbanas reúne ambientes cobertos para dias frios ou chuvosos, áreas destinadas às atividades e espaços de descanso, além de acompanhamento da rotina dos cães. A empresa também informa que solicita vacinas em dia para a frequência na creche, incluindo a imunização contra gripe canina, além das demais exigências previstas em seu protocolo de admissão.
Vacinação reduz gravidade mas não dispensa vigilância
As diretrizes de vacinação de 2024 da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) classificam as vacinas contra Bordetella bronchiseptica e parainfluenza canina entre as mais utilizadas para cães conforme o risco de exposição. O documento esclarece que imunizantes contra agentes respiratórios não impedem integralmente a infecção, mas podem reduzir a gravidade do quadro clínico. Para cães que convivem regularmente com outros animais, a decisão sobre protocolo e reforços deve ser feita pelo médico-veterinário responsável.
“A vacina é uma ferramenta importante, principalmente para cães que frequentam creches, hotéis, parques ou outros locais de socialização. Mas o tutor não deve interpretar a imunização como uma liberação para levar o animal ao convívio quando ele estiver doente. Mesmo vacinado, um cão com sinais respiratórios precisa ser afastado e acompanhado”, explica a dra. Emiliana.
Quando o pet deve ficar em casa
Ao primeiro sinal respiratório, como tosse, espirros, secreção ou indisposição, o cão deve ser afastado das atividades em grupo e avaliado por um veterinário. “Não é indicado esperar que o quadro piore. A avaliação precoce protege o pet e os demais cães”, afirma a dra. Emiliana. Sintomas graves, como dificuldade para respirar ou apatia intensa, exigem atendimento imediato.
“Às vezes, a tosse pode parecer um sintoma simples, mas é preciso observar o conjunto do quadro. A avaliação precoce protege o próprio animal e ajuda a interromper a circulação de doenças entre outros cães. O cuidado responsável é manter o pet em casa quando ele não estiver bem e seguir a orientação veterinária para o retorno à rotina”, finaliza a veterinária.


