Trabalhar para viver ou viver para trabalhar? O valor do equilíbrio Dra. Andréa Ladislau / Psicanalista
- jornal bilhões

- 23 de abr.
- 3 min de leitura

A arte de equilibrar muitos pratinhos, faz parte da realidade de muitas pessoas. Trabalhar, cumprir compromissos, encontrar tempo para se cuidar e descansar, tem se tornado um dos maiores desafios da humanidade. As cobranças são muitas e a pressão constante. Na verdade, a vida contemporânea, gera um conflito emocional que nos leva a refletir: trabalhar para viver ou viver para trabalhar?
Existe uma exigência social velada de que temos que dar conta de tudo, ser multitarefas e mostrar que se é capaz de fazer, cada vez melhor, sem deixar qualquer erro ou sinal de fraqueza. Aliás, fraqueza não pode estar no vocabulário de ninguém. Mas em que momento descansamos ou praticamos o autocuidado?
A verdade é que, sofremos com a imposição de que precisamos ser produtivos a todo custo, e com isso, o autocuidado fica sempre em segundo plano. A sociedade impõe a urgência em conquistar bens. Bens que exigem dinheiro, posses que só fazem sentido se o financeiro estiver equilibrado. E, se o indivíduo não for um herdeiro ou ganhar na loteria, a única saída coerente e honesta, é trabalhar muito, economizar, utilizar o dinheiro com respeito e responsabilidade. Afinal, como já diz o ditado: “dinheiro não aceita desaforo”.
Essa dinâmica, por si só, já gera desequilibro. Muitas vezes, o lazer, o descanso, o cuidado essencial do corpo e da mente, é prejudicado, ou até mesmo, nem existe, por falta de tempo. Em um mundo cada vez mais conectado, estamos desconectando das nossas necessidades básicas e, cuidar da saúde mental e física, acaba sempre ficando para depois. Sem sombra de dúvidas, existe uma linha tênue entre a vida profissional e vida pessoal, onde a eficiência e a cultura da hiperprodutividade nos cobra excelência e foco.
E as consequências acabam sendo inevitáveis: Burnout, depressão, esgotamento emocional, exaustão mental, isolamento social, e o excesso de ansiedade. É urgente, nestes casos, a necessidade de aliar organização, planejamento e autocuidado. Não esquecendo também de equilibrar o sistema imunológico, através de uma alimentação saudável, associada a noites de sono tranquilas, para regular os hormônios, garantindo assim vitalidade e disposição. Afinal, o bom gerenciamento da mente e das emoções poderá driblar a ansiedade e o estresse, de forma muito mais fácil e prazerosa.
Porém, a busca pelo equilíbrio exige regras bem estabelecidas e disciplina para priorizar e respeitar os momentos de lazer e de cultivo de hobbies, tão importantes para o ser humano. Praticar atividades físicas, saber dizer “não”, respeitar os próprios limites, fazer terapia e relaxar sem culpas, são algumas dicas valiosas que contribuem para a manutenção do entendimento ideal do que devemos valorizar, através de planejamento e rotinas saudáveis.
Portanto, a busca pelo bem estar e equilíbrio entre vida profissional e pessoal, não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, reflete uma sanidade mental que precisa ser perseguida por todos a cada dia. A maturidade, o autoconhecimento e a sabedoria, são os três pilares que precisam ser reforçados no momento das escolhas e tomadas de decisões. Sem dúvida, a verdadeira fórmula para uma vida adulta saudável e equilibrada, combinando dignidade e coragem. Podemos desempenhar todos os papéis, porém, eles precisam ser exercidos com equilíbrio. O grande pulo do gato é evitar a sobrecarga e trabalhar os próprios limites, para estimular e favorecer uma mente mais leve. Como consequência, a auto cobrança dará lugar a gratidão por conquistas reais, sem a neurose do controle do mundo, valorizando mais a si mesmo através do amor próprio.




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